domingo, 23 de março de 2008

A porta vermelha


Segue-me, até ao meu canto. Segue como se fosse teu o caminho que tanto te descrevi. [está atento aos pormenores!] Vê como esta terra se assemelha à vida de campo. Vê e Olha. Olha os sorrisos das crianças que [certamente] estarão a brincar na rua. Vê a vizinha de que tanto te falei [vá, cumprimenta...] Segue o meu caminho. Estás a ver a casa diferente? bah, aquela de que te falei...aquela dos estrangeiros [sim, eu sei, fica muito mal na rua em questão, mas não ligues...pensa nisso mais tarde]. Vês a casa branca [típica sim]. Repara na porta vermelha, repara se tem duas maçanetas na porta...Entra, vá...sem medo. [vontade de bater,não? eu sei, não é todos os dias que vês uma porta assim...mas terás tempo e, além disso, sabes que não te abrirei] Entra! A chave está aí, escondida no sítio mais provável que te ocorrer...tu conheceste-me...tu sabes onde! Entra!


Vê. Nunca a tinhas visto...bah, pegua nela..lê, sem medo!

nunca tinha tido coragem de ta mostrar [cobarde, eu...]. Nunca te quis assumir como meu, nunca pensei se seria para sempre, preferi viver na incerteza, na ignorância, no não querer saber se valia a pena apostar...em ti....

Não chores. Não és homem de chorar mas...olha pa tua direita, olha e serve-te. Deixei-te um cálice pronto...sei que gostas...se não te apetecer, escolhe outra coisa.

Bebe e olha-me..olha-me pelas [minhas] coisas. Permito-te, agora, que me conheças. [desculpa a demora]

Aproveito para te dizer...AMO-TE! Amo-te, como nunca pensei amar. Amo-te por te achar demais para mim. Não mereço o teu amor, e tu sabes...mas, Amo-te.

Agora que sabes amor, agora que me declarei, sorri para mim...sorri, com aquele sorriso que te fecha os olhos [quase] na totalidade...sorri amor, porque amo esse sorriso...

Ah, não ligues à desarrumação da casa, não ligues porque não tive tempo de a arrumar, ou melhor, até tive, mas não a quis arrumar. Quis deixar-te conhecer-me. [Conhece-me!!]


Amor, isto é o que tenho para te dizer...Amo-te e perdooa-me, porque se estás aqui, a ler esta carta que te escrevi é porque eu fui...é porque não aguentei e fui...é porque me matei.

Liga à polícia...estarei aqui, na porta ao lado, na porta vermelha [sim, eu sei...igual à da rua...que queres, achei giro...]. Não a abras tu amor, não a abras porque me matei.

21 comentários:

Cátia disse...

Ia dizer-te que era bom quando a entrega é assim total, quando podemos dizer abertamente "amo-te" e deixa-lo entrar pela intimidade da nossa casa... é bom quando assim é.

Mas o fim fez-me mudar o tom... arrepiei-me... conheço a sensação de estar dos dois lados... conheço a sensaçao de ver alguém ali prostrado... horrivel e marcante para a vida inteira...

Vive a vida, vive o amor... aproveita-o.

Belo post que aqui tens, parabens.

Francis disse...

Este é o tipo de leitura que nos pode transportar para realidades diferentes. Direi antagónicas mesmo.
A desarrumação da casa é o espelho do estado de espirito, da desarumação da emoção, do sentir, da insegurança, do vazio!
Será?
Bjs e parabêns, adorei.

Dhyana disse...

Uma forma sheksperiana de amar...
bj

Divinius disse...

Para ti que me visitas*******
E gosto de ler o que escreves acho que és muito original...*

MalucaResponsavel disse...

ouve, com este txt deste cabo de mim... eu a pensar em gds aventuras e... vou ler outra x...

MalucaResponsavel disse...

ok... lido outra x... enfim... n podes escrever uma coisa c final cor-de-rosa??? lololol. bj

bono_poetry disse...

podia reescrever esta historia...com pormenores de uma relacao dura e sem outro fim...com este mesmo ...sem dramas...mas com o extase de quem entra e sente...com portas abertas e maltratadas...com sinais de destruicao....portas arrancadas de emocoes vividas...marcas em objectos atirados...flores mortas em ambiente sem sol ...sem agua...sem ar...cabelos perdidos no solo...manchas vermelhas salpicadas pelo tempo...chao partido em horas dificeis...e tudo porque gostei da porta...

Ignota disse...

Aquela tua capacidade de nos levar a sorrir com a entrada no sonho que seria a feliz realidade da entrega de alguém, para, no fim, destruíres os sorrisos de algodão que levitam em redor do sonho em que entramos.
Não digo que não gosto, mas arrepia. Acabo a pensar: Oh, mas quando é que vai experimentar o contrário?

Então, a ver se consegues construir um texto que nos leve para uma má realidade, com um final feliz. - mais vulgarmente utilizado, sim, o meu positivismo não me costuma deixar fugir muito desse tom, mas só para ver como ficaria com a tua escrita e a tua imaginação.

Uups: era só assim uma sugestão que surgiu cá dentro e que resolvi expressar.

(Un)Hapiness disse...

humm...bah, vou tentar pensar em sinais felizes, mas a verdade é que até agr n consegui...até agr é "o que sai"! talvez pk n vivo mts finais felizes, não sei...

talvez um dia apareça aqui qualquer coisa..happy!:D

(Un)Hapiness disse...

bono_poetry,
concordo que esta história necessitasse de mais pormenores...:) vou tentar tb esse lado :)

Ana disse...

Querida, vive o amor no presente. E não esperes, vive. Vive-o, di-lo, enquanto tiverem oportunidade de o dizer reciprocamente olhando-vos olhos nos olhos...

Pois depois de um adeus, saber de um amor assim só existirá dor.

Portanto diz-lhe que o amas, mas agora, aqui.

Beijos ternos...

Anima-te, p.f...

Margarete da Silva disse...

Maravilhoso entrelaçar de palavras. Belo sem dúvida, o texto é de uma envolvente criatividade e de um não menos envolvente sentimento.
A última frase um tumulto de emoções descontroladas.

Amei

beijo em ti*

Jorge Cardoso disse...

Passei por aqui e gostei do que vi.
Passarei mais vezes para comentar!
Até breve...

Sara disse...

Que história tão bela e tão triste!... É verdade, como foi dito acima, faz-nos relembrar o célebre conto dramático de Romeu e Julieta. Porquê tomar uma decisão dessas se há tanto para viver? Se há tanto para amar? Gostei, mas achei uma história triste. Beijinho

Ana disse...

Ui!
Adorei!

Uma vez em conversa com um amigo, disse.lhe que considero a tragédia, quando bem feita, de uma beleza única. Vejo beleza nos finais infelizes, porque são esses que retratam a vida, salvo raras excepções, são esses finais que se aproximam da realidade não deixando o laço de fantasia a enfeitar.lhes o rosto.
É assim e pronto.

Gostei mesmo!

Å®t Øf £övë disse...

(Un)Hapiness,
Uma declaração de amor tão linda e verdadeira, mas com um fim tão trágico. Será que é preciso morrer para abririmos a porta da nossa casa a quem amamos?
Eu penso que não. Penso que quando amamos vale a pena arriscar tudo e entregarmo-nos por completo, porque só assim teremos a certeza se esse amor vale ou não a pena ser vivido.
Bjs.

bono_poetry disse...

entao e preciso um empurrao?que preguicosa...va ja vem outro ou nao?

bono_poetry disse...

desculpas...mas ok justificaveis!!!

O Profeta disse...

És uma ficcionista...ah pois...


Esta é a alma que voa de um Profeta
Ao encontro do teu sentimento
Este é o sal de alva espuma
Que te ofereço e diadema de espanto…

Olhos de alma, da tua alma
Quero-os no cais da minha chegada
Espero por ti em manto de ternura
No encontro da minha caminhada


Bom fim de semana

Mágico beijo

O Profeta disse...

Escreve-me...


Doce beijo

Å®t Øf £övë disse...

...e toma lá mais outro beijinho...