segunda-feira, 13 de julho de 2009

Porque gostei demais de ler =)


Sempre me pareceu que tudo que existe à minha volta tem vários níveis de entendimento. Há momentos grandes disfarçados de pequenos, gente pequena mascarada de grande. Confunde-se timidez com antipatia, rotina por vulgaridade, o afecto por interesse, a alegria como uma tolice. É um mundo misterioso este, a maior parte do tempo corre-se atrás de coisas sem importância e procura-se preencher o vazio que há em todos nós com as mais variadas inutilidades, passamos ao lado dos pormenores mais insignificantes, os vidros embaciados, as mãos enrugadas pela água quente, o murmúrio nocturno das grandes cidades. Ligamos a televisão e viramos canais à procura de qualquer coisa. No entanto aquilo que nos acalma e eleva está mesmo aqui à nossa volta invisível e inclassificável habita por baixo da camada de ruído permanente que nos envolve. E atrás desse som há uma luz, atrás desse muro há uma festa.


(David Fonseca)

5 comentários:

André Guerreiro disse...

à ironia dos momentos passados à frente da televisão, há uma publicidade qualquer de uma série que diz, entretemo-nos com coisas mínimas que nos fazem felizes por um instante na nossa busca incessante de uma felicidade maior. há gente para tudo. e esta expressão é vulgarizada e normalmente vista como algo mal, há gente grande que se esconde pelos pequenos. que os grandes momentos só vêm de quando em vez, que é dos pequenos que é a vida feita. felizmente nem todos passamos ao lado dos momentos pequenos da vida, eis eu que paro em todo o sol-pôr, em cada gota. Mas na demanda egoísta de cada, muitos procuram só os grandes, sem saberem apreciar os pequenos. Um dia saberão que um dia de chuva pode ser mais belo que os mais quentes dias de praia.

como eu adoro divagar.

André Guerreiro disse...

saberia, se me encontrasse. tenho a afanosa habilidade de me perder nos outros, e nunca me encontrar em mim. às tantas nunca me perdi, ocultei-me. talvez um dia serei egoísta ao ponto de gostar de mim. queimarei somente a ponta do cigarro, quando o acabar, talvez a minha vida acabe com ele.

ainda bem que gostas, tenho vício de o fazer. será defeito? espero que não. é a minha maneira de compadecer com os outros.

Sara S. disse...

Sim, por vezes perdemos o nosso tempo com inutilidades, mas como destruir esse muro que nos separa da festa, da verdadeira existência e do verdadeiro viver? Isso torna-se um pouco complicado quando nem sequer nos apercebemos que ele existe e nos deixamos ir pela corrente de sentimentos do dia-a-dia. Achei este texto muito interessante, principalmente na parte: "Confunde-se timidez com antipatia, rotina por vulgaridade, o afecto por interesse, a alegria como uma tolice." Mas com tanta máscara e mentira, tornam-se mais fáceis e frequentes essas confusões.
Beijinhos

Laranjinha disse...

Vivemos de máscaras o tempo todo...

Também gostei do texto. Em poucas palavras o essencial.

http://escritoemlaranja.blospot.com

Å®t Øf £övë disse...

(Un)Hapiness,
E como tem razão o David Fonseca em tudo o que diz. Revi-me completamente nas palavras dele.
Bjo.