terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Olhar sem Ver / Ver sem Olhar

Maldita chuva! Ter de andar aqui, na rua, no meio desta multidão, desta confusão...insuportável!
Ela pensava no tempo. Pensava sem sentir, ser dar valor à gota de chuva que lhe percorria o cabelo, o olho, o nariz, a boca. Ela levantava a cabeça, não para sentir o ar fresco de que se protegia, mas para não ir contra ninguém, para não ter de pedir desculpa, para não ter de falar com ninguém. Ela via apenas escuridão, via uma multidão escondida pelo guarda-chuva. Ela estava sozinha e via apenas uma multidão escura, molhada, mecanicísta. Não pensava em mudar.
Ele percorria as ruas da cidade com um sorriso. Ele não tinha guarda-chuva, nem pensava em ter [ouvia um sorrisos, umas "bocas" como que a chamá-lo de tolinho...]. Dá uma gargalhada [toliçe destes míseros mortais]. Ele olhava e via pessoas. Não lhes via a cara, porque essa, essa está escondida, mas via em cada gesto, em cada atitude, em cada modo de andar, em cada guarda-chuva, o segredo de cada um. Olhava a avenida [infinita, infinita]. Sorria. Fechava os olhos. Sentia as gotas molhadas na sua face, sentia-as percorrer cada milímetro do seu rosto até aos lábios, onde rapidamente morriam dentro de si. [prazer]
Ela via, não olhava.
Ele olhava, mas não via.
Talvez se ela não pensasse apenas, talvez se ela sentisse cada momento enquanto percorresse a avenida, talvez tivesse visto nele, alguém diferente dos demais, talvez tivesse sentido prazer. Talvez se ele pensasse e reflectisse o momento, talvez se não sentisse [apenas], talvez assim a tivesse visto, talvez assim, não só a sentisse como ser escondido, com segredos, mas sentisse o seu sexo. Se ela o olhasse...Se ele a visse...
Talvez, talvez...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Porque É simplesmente...

I heard there was a secret chord
that David played and it pleased the lord
but you don't really care for music do ya
Well it goes like this the fourth the fifth
the minor fall and the major lift
the baffled king composing hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well your faith was strong but you needed proof
you saw her bathing on the roof
her beauty and the moonlight overthrew you
she tied you to a kitchen chair
she broke your throne and she cut your hair
and from your lips she drew the hallelujah.
Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah
Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew you
And I've seen your flag on the marble arch
and love is not a victory march
it's a cold and it's a broken hallelujah
Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well there was a time when you let me know
what's really going on below
but now you never show that to me do you
but remember when I moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well maybe there's a god above
but all I've ever learned from love
was how to shoot somebody who outdrew you
And it's not a cry that you hear at night
it's not somebody who's seen the light
it's a cold and it's a broken hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah
JEFF BUCKLEY - HALLELUJAH

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Quiz

Art of Love, pensou em mim para responder às seguintes estas cinco perguntas para, penso eu, o ajudarem a saber um pouco mais sobre mim!
1- Quem já fez a tua cabeça?
Poucas pessoas "fizeram-me a cabeça". Mas há quem o tenha feito. Há quem o faça ainda. Positivamente, houve alguém que entrou no meu Mundo e me fez perceber que não há mal algum em demonstrar ter problemas, que não os poderia guardar eternamente para mim, que há criaturas em quem se pode confiar. Por tudo isso, agradeço.
Mas, há quem me "faça a cabeça" negativamente...Há quem tenha entrado na minha vida e ma tenha roubado. Roubou-lhe o Ser e, por isso, sinto. "Faz-me a cabeça" porque leva-me a pensar em Vingança.
2- Quem corta os teus cabelos?
A Marta faz o trabalho pesado. :)
Mas, confesso que lhe vou dando um jeitinho...e não, não tenho jeito para cabelos, mas a vida está cara meus amigos. :D
3- Quem te enche os olhos?
O Puto e a Ana. Amo-os mais do que a vida...a minha.
Dois seres magníficos, tão próximos do meu sangue, mas tão diferentes de mim.
4- Quem te enche o saco?
As Pitas com idade de já não o serem.
Os comentários que fazem nas aulas.
A gente daquele café.
Ufa...haja paciência!!
(Admito, sou uma pessoa sem paciência nenhuma. Fervo em pouca água. Não gosto de histerismo)
5- Quem não te sai da cabeça?
Aquelas tr~es de quem gosto muito, que me ouvem e me fazem rir.
Aqueles dois porque fazem parte do meu ser.
Ele...porque entrou e saiu da minha vida sem que eu desse por isso, sem que o percebesse.
Ela...porque faz parte de mim, porque a vejo e não a sinto.
Aquele ser...porque nos matou.
Como também gostaria de saber mais sobre vocês, vou lançar o repto de responderem a estas cinco perguntas ao Luis Martino, à Suspiro, e ao Night, para ver como se saem desta, se quiserem responder... claro.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Viver sem Viver (PARTE I)

Matilde viveu e sofreu. Matilde continua aqui, neste mundo, mas não lhe pertence. Cresceu com uma mãe que não era A sua. (Terá sido engano lá de cima?).
Tentou libertar-se da prisão onde nasceu. (Ousadia de Matilde...). A jovem, com 18 anos, casa-se com o professor, aquele homem ganancioso, sem amor para lhe dar, mas no fundo...boa pessoa.

- "Não mandas mais em mim mãe! Acabou o meu sofrimento!"

A mãe de Matilde chora, chora e pensa no quanto ama a sua filha, mesmo que ela diga disparates à frente das suas amigas. Matilde não pensa assim.
Diz ser de outro mundo, um mundo superior, ao qual as "criaturas" que a rodeiam não conseguem alcançar. (o casamento irá salvá-la)
Matilde casa. Muda de caa. Tem um filho. Morre-lhe a criança. Matilde está só. Discute com a mãe, porque é a única que a ouve. Matilde espera o marido, que não dorme em casa...Matilde lê, vê televisão, chora e desepera. Torna-se num ser forte, que tudo quer e tem. (Refugia-se no álcool)

Os anos passam...
Três seres nascem numa casa sem amor. Crianças inocentes, boas e diferentes surgem e crescem no meio de agressões, ausências, mentiras. (choram sozinhas)
- "Porquê mãe?"
A avó, aquela que sempre pensou ser a sua prendeu, é a sua base. Não há amigos, não há família. Há um pai, distante, mas que ama os filhos. Há uma mãe, que tudo dá aos filhos, que os leva pra todo o lado, mas...("mãe porque partes tudo?")

Os anos passam...
Todos crescem. Modulam o pensamento. Personalidades formam-se.
- "Não aguento mais...quero morrer!! Ver a minha mãe morrer aos poucos, ver o meu pai ausentar-se e não me olhar nos olhos...nem consigo falar disto com os meus irmãos...tenho vergonha..."
Tentativas de suicídios, agressões, ausências inexplicáveis, amantes...o pensamento dos filhos...
João, o marido, sofre é verdade...chora em silêncio, chora sem lágrimas, mas a verdade é que nunca amou Matilde...
- "Eu amo os meus filhos, mas já não os consigo encarar...Estarei a errar muito com este casamento?! Eu não tenho nenhuma amante...pelo menos, desde que nasceram as crianças...mas agora tem ela!!! Naõ tem esse direito!!!"

Os anos passam...
A separação é inevitável. Matilde volta a sorrir. Volta a pensar em viver, em começar a viver. João é infeliz, mas já encara os filhos...vive na ausência dos putos, vive na expectativa das suas visitas...
Todos vivem!
- "Agora posso-vos contar o que foi a minha vida estes anos..eu sei que são minhas amigas, mas tinha vergonha dos meus pais...Mas agora, tudo vai mudar!"

Os anos passam...
- "Sou adolescente...posso pensar agora em viver a adolescência...posso pensar em namorar, em sair...em viver, que não a vida dos meus pais, a vida da mentira!!!"

Os anos passam....
- "O pesadelo voltou??"

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal

Não quero nem vou alongar-me neste assunto...
vou simplesmente (coisa que já deveria ter feito) desejar a todos um bom dia...espero que, quem realmente vive o Natal, tenha tido uma óptima consoada...

...a minha semana não foi boa...
...a noite de Natal não fugiu à regra...

os pesadelos perseguem-me, aliás, perseguem-nos...não sei mais que fazer para nos salvar.
perdoem-me todos aqueles que esperam mais de mim.

Um bom ano para todos aqueles que vêem estas minhas palavras quando nem eu sei porque o fazem...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Fuga de Mim



Esta noite...
Fria, chorosa e sem cor...
fez-me pensar.
Envolvi-me nos pensamentos que me prendem a este mundo, e num âpice levantei-me e olhei o espelho. Pensei, de quem seria este corpo que carrego?
Olho-o, vejo-o, toco-lhe, mas não o sinto.
Fecho os olhos. Sento-me e percorro o mundo...vejo pessoas, lugares, vejo mundos...
Penso no porquê de não estar ali...Se Eles são como eu, se (não) querem o mesmo que eu, porque nasci aqui? Quero voltar a casa!
Percorro mais um pouco. Lá fora contínua o choro da noite. Atendo ao coração porque te ouço. Não te queria atender, mas não consigo...Continuo de olhos fechados.
Ouço, não te escuto. Perguntas se sim, digo-te que sim. Não sei do que falas.
Ouço-o ao fundo. A mente desperta.
O coração dói.
O céu chora, chora, chora.
Cái-me um pedaço de mim. Alma aflita a minha.
Os olhos não conseguem mais viajar...
Abrem-se os olhos.
Voltei ao mundo que não é meu, à luz escura da minha vida.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Poema


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

"Diz que até não é um mau Blog"...Será? :)



Foi com grande espanto que me deparei neste meu cantinho com o prémio "Diz que até não é um mau blog"...bah, prémio pode não ser bem, mas um orgulho foi com certeza..:) Por isso, quero agradecer solenemente a Å®t Øf £övë e(http://pedacosemblog.blogspot.com/) por este ter sido um dos 7 Blogues escolhido como até não sendo um mau blog! Aproveito ainda para agradecer a todos aqueles que entram nos meus Sentimentos, Vãos, mas que estão na Demanda de Sentido! :)

Este meu espaço foi constituído, não com o intuito de se tornar um Bom Blog, não com o intuito de se ler textos muito bem escritos e de certeza, não foi feito na procura de elogíos....se bem que caso isso aconteça, não é nada mau...=), no entanto o objectivo foi sem dúvida escrever o que sinto, escrever as minhas vivências, desabafar com não sei quem, esse alguém que não conheço, mas que me faz sentir bem melhor...embora, por vezes, possa não parecer!

Ora, O "Diz que até não é um mau blog" é um prémio criado pelo skynet, e tem as suas próprias regras, que são as seguintes:

1- Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários;

2- Só e somente se recebeste o "Diz que até não é um mau blog", deves escrever um post:- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog- A tag do prémio- As regras- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio;

3- Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele;

4. (Opcional) Se quiseres fazer publicidade à criatura com demasiado tempo livre para gastar em parvoíces, e que teve a ideia de inventar este prémio, ou seja eu – Skynet, podes fazê-lo no post que eu fico agradecido.

Neste sentido, as minhas escolhas são:

1- "Ontem Hoje e Sempre" (http://night8wolf.blogspot.com/);

2- "Luis Martino, prazer" (http://naopassamosdemerosacasos.blogspot.com/);

3- "Poesias" (http://poesiaslaura.blogspot.com/);

4- "On my own" (http://search-me-at.blogspot.com/);

5- "o longe faz-se perto" (http://sdn008.blogspot.com/);

6- "MRS. C" (http://mrscescreve.blogspot.com/);

7- "happiness...more or less" ( http://happinessmore-or-less.blogspot.com/).

Espero que Gostem!!...:)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -- e nada mais!

Antero de Quental